terça-feira, 11 de agosto de 2009

Análise e interpretação da obra:



Análise

— Vê, meu fiel Sancho: diante de nós estão mais de trinta

insolentes gigantes a quem penso dar combate e matar um por um.

Na província da Mancha, Espanha, vive um fidalgo que de tanto ler histórias de cavaleiros medievais confunde fantasia e realidade, e sai pelo mundo acreditando ser um deles. Nos seus delírios, Dom Quixote luta contra moinhos achando que são gigantes cruéis; apaixona-se por uma rude camponesa vendo nela uma dama aristocrática. Sancho Pança, seu fiel escudeiro, embora tenha uma visão prática das coisas, é fascinado pela imaginação de seu amo. Essas duas figuras, ao contrário dos super-heróis, sonham, têm esperança e fracassam, o que os torna tão humanos.

Desde sua publicação, no Renascimento, Dom Quixote tem se mantido como uma das fontes de inspiração e de referência dos escritores e artistas de todas as épocas. A figura de Dom Quixote se tornou por si mesma num símbolo do artista moderno em suas lutas contra as agruras de urna realidade desencantada. Satirizando o declínio dos valores aristocráticos, representados pelas gestas cavaleirescas medievais, Cervantes não só anuncia os impasses da cultura moderna nascente, quanto denuncia o esvaziamento da fantasia e do idealismo num mundo cada vez mais submetido aos rigores da razão prática e dos interesses materiais. Nesse sentido, Dom Quixote se impõe como uma das matrizes básicas de toda a literatura moderna. Ver O Rei Artur e os cavaleiros da Távola Redonda.

Nesse romance épico há referências às lutas da nobreza hispânica para expulsar os árabes, que invadiram e se instalaram na Península Ibérica. Esse longo processo, conhecido como a Guerra da Reconquista, transcorreu durante a Idade Média, assinalando a mentalidade militar e cavalheiresca da aristocracia ibérica, e repercutindo na cultura medieval como um todo. Ver El Cid. E sua conclusão propiciou a constituição do Estado espanhol como uma monarquia centralizada, o que por sua vez seria a condição indispensável para o seu pioneirismo nas Grandes Navegações e para a introdução do país na modernidade e nos valores do Renascimento. Com sua obra, Cervantes pretendia expor e criticar justamente a forte presença da tradição aristocrática medieval na cultura espanhola, derivando daí as dificuldades que o país encontrava para adaptar-se ao mundo e à cultura modernos.

O conflito entre o idealismo repleto de delírios e fantasias de Dom Quixote e o realismo prático e rasteiro de Sancho Pança comporta um dos mais nítidos vislumbres do confronto de valores que acompanhou a emergência do pensamento moderno. Nesse sentido, o livro de Cervantes mantém uma viva atualidade, permitindo comparar, desde então até nossos dias, os níveis do desencontro entre uma visão generosa, sublime e heróica do mundo, e outra voltada para os interesses mais imediatos e comezinhos, para os pensamentos mais convencionais e as atitudes mais convenientes.

Interpretação:

A batalha dos moinhos de vento:

Dom Quixote e Sancho Pança chegaram a um local onde havia trinta ou quarenta moinhos de vento. Dom Quixote disse a Sancho Pança que havia dezenas de míseros gigantes que ele ia combater. Sancho pediu para Dom Quixote observar melhor, pois não eram gigantes e simplesmente moinhos de vento.

Dom Quixote aproximou-se dos moinhos e com pensamento em sua deusa, Dulcinéia de Toboso, à qual dedicava sua aventura , arremeteu, de lança em riste, contra o primeiro moinho. O vento ficou mais forte e lançou o cavaleiro para longe. Sancho socorreu-o e reafirmou que eram apenas moinhos. Dom Quixote respondeu que era Frestão, quem tinha transformado os gigantes em moinhos.

Análise do trecho

Através deste breve relato da Batalha dos Moinhos de Vento, podemos ver com clareza a loucura de Dom Quixote.

Naquele momento, podemos observar, Sancho Pança comportar-se com as mesmas idéias de nossa sociedade quando se defronta com algo fora dos padrões, fora do cotidiano, fora da normalidade petrificada que ela mesma impõem. E com mesma atitude, demostra, aponta, avisa, porém nada faz mediante o fato.

Dom Quixote não tinha consciência do que fazia. Ele havia se aprofundado tanto naquele mundo irreal que começou a ver coisas.Logo após o choque com os moinhos, ele percebe com clareza que os gigantes de fato eram moinhos, porém sua imaginação o faz achar que algum mago o hipnotizou, fazendo-o ver nos moinhos os gigantes. Sempre havia uma forma da realidade transformar-se em irrealidade.

A batalha contra o “exército de ovelhas”

Neste capítulo do livro, é relatado uma das aventuras de Dom Quixote, o encontro com dois rebanhos de ovelhas. O cavaleiro, com todo o seu sonho, criou paisagens, personagens que não existiam, atribuindo-lhes armas, coroas, escudos que na verdade não existiam, eram somente animais.

Foi então que o “herói” avançou em direção aos rebanhos e, como sempre foi surrado pelos pastores e pelas próprias ovelhas.

Análise do trecho

Como continuidade da sua loucura, o fidalgo é capaz de imaginar em um campo, que está cheio de ovelhas, dois grandes exércitos, com seus generais e cavalos, guerreando.

Aqui Sancho Pança também reprime o nobre homem, repetindo atitudes de nossa sociedade. Ele faz um papel de “acredite se quiser”, concordando com os sonhos de seu amo apenas para satisfazê-lo, ou seja, se não podia controlá-lo, juntava-se a ele.

Sancho Pança conquista suas ilhas prometidas

Desacreditado em receber sua ilha, Sancho Pança ganhou-a com muito orgulho. Pelo fato de acreditar e acompanhar um cavaleiro, tinha muito prestígio na sociedade.

Sancho Pança resolveu vários problemas durante seu curto encontro com o poder, mas a população, que estava apenas fazendo uma brincadeira com o escudeiro, afetou os sentimentos do “governador”, fazendo-o abdicar ao cargo e voltar a sua vida antiga.

Análise do trecho

Nesta passagem do livro, analisamos como a sociedade, representada por Sancho Pança, é frágil. Ao acreditar estar recebendo os reinos prometidos por “nosso herói”, o fiel escudeiro rende-se à fantasia de Dom Quixote, movido pela ganância e pelo poder.

Em contrapartida, sua análise mais crítica do fato demonstra a atitude de debocho e desprezo dos habitantes da ilha, pouco se importando com o estado do ajudante e do próprio cavaleiro. Não refletiram se Dom Quixote tinha algum problema mental ou se precisava de ajuda. Ao contrário, invés de ajudá-lo, contribuíram para a sua ridicularização.

Finalizando, o livro de Miguel de Cervantes retoma à história do povo espanhol e do europeu, retratando as aventuras dos inúmeras cavaleiros, sendo por isso considerado a última novela de cavalaria. Critica também as atitudes da sociedade e como alguns componentes desta alertaram para o problema de Dom Quixote e se esforçaram para o problema para tentar solucioná-lo.

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